sábado, 7 de março de 2026

Você conhece a dignidade do Evangeliário na Liturgia?

 

O Evangeliário

    O Evangeliário, também chamado de Liber Evangeliorum, tem raízes profundas na história da nossa liturgia e é considerado o livro litúrgico mais importante da Igreja Católica porque carrega as próprias palavras de Cristo. Antigamente, nos primeiros séculos, as leituras eram feitas diretamente de rolos ou códices que continham a Bíblia completa. Com o tempo, surgiram os Lecionários para facilitar o uso nas missas , mas, entre os séculos VI e VII, a Igreja sentiu a necessidade de separar o Evangelho das outras leituras para enfatizar a primazia de Jesus. Na Idade Média, esses livros viraram verdadeiras obras de arte, com capas de metais preciosos e pedras raras, simbolizando que a Palavra é o maior tesouro da comunidade. Mais recentemente, a Reforma Litúrgica do Vaticano II, por meio do Missal de Paulo VI, restaurou a tradição de manter o Evangeliário como um livro distinto do Lecionário em celebrações solenes.

    A dignidade desse livro é enorme; a Igreja ensina que a veneração dedicada a ele é análoga à que damos ao Altar e ao próprio Corpo de Senhor. Segundo a Instrução Geral sobre o Missal Romano (IGMR, n. 29), quando as Escrituras são lidas, é o próprio Deus quem fala ao Seu povo. Por isso, o Evangeliário recebe um tratamento diferenciado: ele é o único livro levado na procissão de entrada e depositado sobre o Altar (IGMR, n. 117), o que mostra que a Palavra e a Eucaristia nascem do mesmo sacrifício. Ele também é honrado com incenso e luz de velas (Cerimonial dos Bispos, n. 74) e, após a proclamação, é beijado pelo bispo ou sacerdote, que pode até usá-lo para abençoar o povo em momentos especiais (CB, n. 141). Documentos como a Sacrosanctum Concilium e a Dei Verbum reforçam que o livro deve ser belo e tratado com o máximo decoro, pois é um sinal sacramental de Cristo Mestre.

    Na hora da procissão de entrada, existe uma hierarquia sobre quem deve carregá-lo. O portador oficial e por excelência é o Diácono, que caminha à frente do sacerdote com o livro um pouco elevado (IGMR, n. 172; CB, n. 128). Essa função é tão central que, no rito de ordenação do Pontifical Romano, o Bispo entrega o livro ao novo diácono dizendo que ele foi constituído seu mensageiro. Se não houver um diácono, a Igreja permite que um Leitor (de preferência instituído) leve o Evangeliário (IGMR, n. 120, b). É importante notar que o Lecionário nunca é levado em procissão; ele já deve estar no ambão (Código de Direito Canônico, Cân. 825). Além disso, o sacerdote celebrante nunca carrega o livro na entrada, pois ele preside a assembleia in persona Christi, enquanto o livro simboliza a Palavra que será anunciada. Levar o livro de forma elevada (IGMR, n. 120) e depositá-lo no Altar une a "Mesa da Palavra" à "Mesa da Eucaristia" em um só ato de culto.

Nenhum comentário:

Postar um comentário