O Equilíbrio da Fé: A Via Média entre o Tradicionalismo e o Relativismo
Resumo: O presente texto reflete sobre o desafio da vivência cristã contemporânea diante de dois polos extremos: o tradicionalismo de ruptura e o relativismo secularizante. Propõe-se, sob a luz da Doutrina e do Direito Canônico, a obediência amorosa à Igreja como o caminho de autêntica comunhão.
Introdução
No cenário eclesial contemporâneo, quem busca zelar pela sã doutrina e pela liturgia vigente encontra-se, muitas vezes, em um "fogo cruzado". De um lado, o tradicionalismo radical que, ao absolutizar formas pretéritas, corre o risco de cair na desobediência ao Magistério Vivo. De outro, o relativismo, que esvazia os símbolos e a metafísica do sagrado, reduzindo a fé a um humanismo vago.
1. O Risco do Engessamento: A Questão do Tradicionalismo
O amor à Tradição é um dever de todo católico. No entanto, a Tradição não é um "museu de formas mortas", mas, como dizia o teólogo Yves Congar, um rio vivo que flui. O Código de Direito Canônico (Cân. 754) estabelece que todos os fiéis estão obrigados a observar as constituições e decretos que a autoridade legítima da Igreja propõe.
O tradicionalismo que nega a validade da reforma litúrgica ou do Magistério atual incorre no erro da autorreferencialidade. Ao julgar-se "mais fiel que o Papa", esse movimento acaba por ferir a unidade eclesial, esquecendo que a Igreja é guia pelo Espírito Santo também no presente.
2. O Risco do Esvaziamento: O Perigo do Relativismo
No polo oposto, o relativismo busca adaptar a fé aos moldes do mundo, ignorando que os ritos litúrgicos não nos pertencem. A Liturgia é o exercício do múnus sacerdotal de Cristo (SC 7). Quando se remove a dimensão do sagrado e o rigor doutrinário em nome de uma suposta "inclusividade", o que resta é um símbolo vazio de seu conteúdo metafísico.
Santo Agostinho já alertava: "Se crês no que gostas no Evangelho e rejeitas o que não gostas, não crês no Evangelho, mas em ti mesmo". O relativismo não é acolhimento, é esvaziamento da Verdade que liberta (Jo 8, 32).
3. A Obediência como Ato de Amor e Centralidade em Cristo
A chave para superar essa polarização é a obediência filial. O Catecismo da Igreja Católica (§87) recorda que o Magistério não está acima da Palavra de Deus, mas a serve. Quem segue o Missal Romano atual e as orientações do Código de Direito Canônico não está sendo "modernista", mas sim eclesial.
Zelar pelo correto não é um ato de soberba, mas de caridade. A obediência aos ritos e à doutrina atualizada protege o fiel do subjetivismo. Como ensinava São Tomás de Aquino, a virtude está no meio (in medio virtus). Esse "meio" não é a mornidão, mas a retidão que evita o abismo do fanatismo e o deserto do ceticismo.
Conclusão
Manter-se firme no propósito de servir a Deus na Sagrada Liturgia da Igreja, respeitando as normas vigentes, é um ato de resistência espiritual. É ser sinal de contradição para ambos os lados. Ao não ceder nem ao retrocesso que exclui, nem ao relativismo que dissolve, o cristão torna-se o ponto de equilíbrio onde Cristo permanece presente, real e eficaz. A Igreja é nossa Mãe e Mestra; segui-la com amor e zelo é o caminho mais seguro para a santidade.
Referências Bibliográficas
AQUINO, Tomás de. Suma Teológica.
BENTO XVI. Carta aos Bispos que acompanha o Motu Proprio Summorum Pontificum. 2007.
CÓDIGO DE DIREITO CANÔNICO. Vaticano, 1983.
CONCÍLIO VATICANO II. Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia.
GOOGLE. Gemini (Versão 2.5 Flash). Modelo de linguagem de grande escala. Resposta a prompt sobre reflexão eclesial católica. Gerado em: 27 jan. 2026.
IGREJA CATÓLICA. Catecismo da Igreja Católica. São Paulo: Loyola, 2000.
Diác. Adriano Gomes
Formatação ABNT, inserção de Citações e cruzamento de referencias com auxilio de GOOGLE. Gemini (Versão 2.5 Flash).
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