sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A Sagrada Escritura.

Estamos no Mês da Biblia e como prometi aos irmãos do Curcilio de Cristandade aqui esta uma pequena explanação sobre A Escritura Sagrada.

A bíblia é uma coleção de livros entregues por Deus ao homem através de da inspiração do Espírito Santo. É composta de um primeiro testamento com 46 livros e um segundo testamento com 27 livros. São eles o Antigo (AT) e o Novo Testamento (NT).

Quando foi escrita

Os primeiros livros começaram a ser escritos por volta do ano 1.200 a. C. e o último foi escrito por volta do ano 100 d. C. Ao todo, levaram 13 séculos sendo escritos.

Quem confere veracidade ao papel?

Quem confere veracidade à Sagrada Escritura ou não é a tradição. Nosso Senhor nunca mandou que se escrevesse um livro, muito pelo contrário: "Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda a criatura" (daí a palavra universal em oposição a uma igreja de um povo, de uma classe, etc). Pregar não é o mesmo que escrever, mas que falar, que transmitir oralmente, etc.

A própria Bíblia diz, claramente, que Jesus Cristo fundou uma Igreja sobre Pedro (Mt 16, 18), diz que estaria com ele até o fim do mundo (Mt 28, 13-20), que lhe dava as chaves do reino do céu (Mt 16, 19), que esta Igreja seria coluna e firmamento da verdade (1 Tim 3, 15), que é preciso escutar esta Igreja sob pena de ser tratado como um pagão (Mt 18, 17). Diz ainda: Cristo mandou os apóstolos pregarem o evangelho, e nem fala na Bíblia, nem de espalhar bíblias (Mc 16, 20)

Deus, em sua infinita bondade, não deixou suas criaturas relegadas à sua própria sorte ou 'interpretação' subjetiva (isto é, cada um interpreta como quer a Bíblia, segundo sua 'inspiração) de sua vontade. Ele nos deixou um "corpo místico" vivo, que se desenvolve no tempo. Ainda afirmou à sua Igreja: "Quem vos escuta a mim escuta, quem vos despreza, a mim despreza" (Lc. 10, 16). "Estarei convosco até o fim dos séculos" (Mt 28, 20).

A Bíblia só serve quando interpretada pela autoridade competente, "Deus é a verdade - Ego sum veritas" (Jo 14, 6). "O homem é a mentira - Omnis homo mendax" (Rom 3, 4). Em outras palavras, a interpretação da verdade não pode ser feita por homens falíveis, mas necessita de uma autoridade infalível.

Em parte alguma Cristo disse: quem ler este livro, conhecerá a minha vontade. Ele disse: "Quem vos escuta a vós, a mim escuta" (Lc 10, 16).

Apenas alguns discípulos (dois eram Bispos) é que escreveram o Novo Testamento, e muitos anos após a morte de Nosso Senhor. Tanto o Novo Testamento quanto o Antigo Testamento foram escritos baseados na tradição oral.


A Bíblia manda seguir a Tradição

1)"Em nome de Nosso Senhor, Jesus Cristo, mandamos que vos afasteis de todo irmão que se entrega à preguiça e não segue a tradição que de nós recebestes" (2 Tm 3,6).

2)"Tu, pois, meu filho, sê forte na graça de Cristo, e o que de mim ouviste perante muita testemunha confia-o a homens fiéis capazes de ensinar a outros" (2 Tm. 1-2). Eis aqui a tradição oral.

Nem tudo está na Bíblia:

"Há ainda muitas coisas feitas por Jesus, as quais, se se escrevessem uma por uma, creio que este mundo não poderia conter os livros que se deveriam escrever" (Jo 21,25).

S. Paulo: "Irmãos, ficai firmes e conservai as tradições que aprendestes, quer por palavra, quer por escrita nossa" (2 Tess 2,15).

E como ficam os protestantes sem a tradição e sem a Igreja? O Antigo Testamento prescreve uma série de normas que não foram abolidas pela Bíblia, mas pela Igreja. Como fica a observância dessas normas se só a Bíblia é fonte de revelação?

Exemplos: Não acender fogo (para cozinhar) em nenhuma moradia no sábado (Ex. 35,3). Não semear diferentes espécies no mesmo campo (Lev. 19,19). Não semear e colher nada, nos campos e na vinha, no ano sabático (Ex. 23, 10-11) e (Lev. 25 3-5). Não comer os frutos das árvores nos primeiros três anos (Lev 19, 23-25).

Só a Bíblia, dizem os protestantes, tudo deve apoiar-se sobre a Bíblia! Mas por que então Cristo não deu esta Bíblia? Por que ele não disse aos apóstolos: Sentai-vos e escrevei o que vos dito, ou, então, viajai e distribui bíblias; em vez de: 'ide e pregai - quem vos ouve, ouve a mim" (Lc 10, 16). E os apóstolos foram fiéis à sua missão; poucos escreveram, e escreveram pouco; mas todos pregaram, e pregaram muito.

Se basta a Bíblia, para que servem os pastores protestantes? Por que estas casas de culto... desde que há uma Bíblia em casa?

Ora, o que convém conhecer é menos a letra que o espírito. A observação é de S. Paulo: "A letra mata, mas o espírito vivifica" (2 Cor 3, 6). Deus fez o sacerdote "ministro do espírito e não da letra" (2 Cor 3, 6).

A Bíblia do Antigo Testamento existia no tempo de Jesus Cristo; entretanto, Ele nunca recomendou aos seus apóstolos a leitura da Bíblia; nem que adquirissem uma Bíblia, mas recomendou que escutassem àqueles que lhes explicavam a Bíblia, de modo autêntico, fossem eles até homens perversos e viciados, desde que constituem a autoridade legítima: "Sobre a cadeira de Moisés se assentaram os escribas e os fariseus; observai, pois, e fazei tudo o que eles vos disserem; mas não imiteis as suas ações" (Mt 23, 2).

Fica claro que o Mestre não recomenda "ler a Bíblia", mas praticá-la, conforme as explicações dos chefes capazes de interpretá-la.

Diferenças entre a Bíblia Católica e a protestante

Os livros do Antigo Testamento são 46, reconhecidos autênticos pela Igreja católica. Estes livros foram quase todos escritos em hebraico; e uns em língua caldaica e em grego.

O cânon protestante conta apenas 39 livros, faltando, como se pode verificar, os seguintes livros:

1 e 2 dos Macabeus, Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico e Baruc. Faltam no livro de Ester uns 6 capítulos (10,4 - 16, 24) e no livro de Daniel falta a oração de Azarias, o cântico dos mancebos, o episódio de Susana e a história de Bel e do Dragão. (Pe. Júlio Maria; Ataques Protestantes às Verdades Católicas, pp. 74 - 76: Pe Estevão Bettencourt, O.S.B., Católicos perguntam, pp.22-24)

É bom recordarmos as palavras de S. João, no fim do Apocalipse: "Se alguém cortar qualquer das palavras do livro desta profecia, Deus lhe cortará sua parte do livro da vida e da cidade santa, e do que está escrito neste livro (22, 19).

Convém fazer algumas distinções primeiras quanto aos nomes:

1) Cânon, do grego Kanón = regra, medida e catálogo;

2) Canônico = livro catalogado - o que significa que também é inspirado por Deus;

3) Protocanônico = livro catalogado próton, isto é, em primeiro lugar ou sempre catalogado;

4) Deuterocanônico = livro catalogado, déuteron ou em segunda instância, posteriormente (após ter sido controvertido);

5) Apócrifo, do grego apókryphon = livro oculto, isto é, não lido nas assembléias públicas de culto, reservado à leitura particular. Em conseqüência, livro não canônico, não catalogado, embora tenha aparência de livro canônico (Evangelho segundo Tomé, Evangelho da Infância, Assunção de Moisés...)

Examinemos como foi formado o atual cânon do Antigo testamento.

As passagens bíblicas começaram a ser escritas esporadicamente desde os tempos anteriores a Moisés. Todavia, Moisés foi o primeiro codificador das tradições orais e escritas de Israel, no século XIII A. C. A essas tradições (leis, narrativas, peças litúrgicas) foram sendo acrescidos, aos poucos, outros escritos no decorrer dos séculos, sem que os judeus se preocupassem com a catalogação dos mesmos.

Já no século I da era Cristã, como os apóstolos começaram a escrever os primeiros livros cristãos (cartas de S. Paulo, Evangelhos...), que se apresentavam como a continuação dos livros sagrados dos judeus, estes reuniram-se no Sínodo de Jâmnia, ao sul da palestina, por volta do ano 100 d.C., a fim de estabelecer as regras que caracterizariam os livros sagrados (inspirados por Deus). Foram estipulados os seguintes critérios:


1 - O livro sagrado não pode ter sido escrito fora da terra de Israel,

2 - ... não em língua aramaica ou grega, mas somente em hebraico,

3 - ... não depois de Esdras (458-428 a.C.),

4 - ... não em contradição com a Torá ou Lei de Moisés.

Em conseqüência, os judeus da palestina fecharam seu cânon sagrado sem reconhecer livros e escritos que não obedeciam a tais critérios. Acontece, porém, que em Alexandria, no Egito, havia uma próspera colônia judaica que, vivendo em terra estrangeira e falando língua estrangeira (o grego), não adotou os critérios nacionalistas estipulados pelos judeus de Jâmnia. Os judeus de Alexandria chegaram a traduzir os livros sagrados hebraicos para o grego entre 250 e 100 a.C., dando assim origem à versão grega dita "Alexandrina" ou "dos setenta intérpretes".

Essa edição bíblica contém livros que os judeus de Jâmnia não aceitaram, mas que os de Alexandria liam como "Palavra de Deus"; assim são os livros de Tobias, Judite, Sabedoria, Baruque, Eclesiástico ou Sirácida, 1o e 2o dos Macabeus, além de Ester 10,4 - 16,24 e Daniel 3,24-90; 13ss).

Podemos, pois, dizer que havia dois cânones entre os judeus no início da era cristão: o restrito, da Palestina, e o amplo, de Alexandria.

O grupo de judeus que se reuniu em Javneh (Jâmnia) se converteu no grupo dominante da historia judaica posterior, e hoje muitos judeus aceitam o cânon de Javneh. Contudo, alguns judeus, como os de Etiópia, seguem um cânon diferente que é idêntico ao Antigo Testamento Católico e inclusive os sete livros deuterocanônicos (cf. Enciclopédia Judaica, vol. 6, p. 1147). Como é lógico, a Igreja não tomou em conta as conclusões de Jâmnia. Primeiro, um concílio judeu posterior a Cristo não tem autoridade sobre os seguidores de Cristo. Segundo, Jâmnia rechaçou precisamente aqueles documentos que são fundamentais para a Igreja Cristã - os Evangelhos e os demais documentos do Novo Testamento. Terceiro, ao rechaçar os deuterocanônicos, Jâmnia rechaçou livros que haviam sido usados por Jesus e os apóstolos e que estavam na edição da Bíblia que os apóstolos usavam na vida cotidiana - a Septuaginta. Como os judeus em todo o mundo que usavam a Septuaginta, os primeiros cristãos aceitaram os livros que encontraram nela. Sabiam que os apóstolos não os guiariam erroneamente nem poriam suas almas em perigo, pondo em suas mãos falsas escrituras - especialmente sem adverti-los contra elas.

Os apóstolos e evangelistas, ao escreverem o Novo Testamento em grego, citavam o Antigo Testamento, usando a tradução grega de Alexandria, mesmo quando esta diferia do texto hebraico (ver Mt 1,23 quando cita Is 7,14; e Hb 10,5 (cita Sl 40,6). Esta tornou-se a forma comum entre os cristãos; em conseqüência, o cânon amplo, incluindo os sete livros já citados, passou para o uso dos cristãos.

No começo do cristianismo, como conseqüência da existência desses dois cânones, o de Alexandria e o da Palestina, havia uma certa confusão sobre quais deveriam ser seguidos.

O papa S. Dâmaso, no ano 374, confiou a S. Jerônimo o cuidado de coligir e traduzir os livros santos, sujo conjunto forma o atual cânon ou catálogo da Igreja.

O Catolicismo reconheceu sempre, e o Concílio Tridentino confirmou a lista de S. Dâmaso.

A Sagrada Escritura condena o "Livre Exame"

A) "Nenhuma profecia da Escritura é de interpretação pessoal" (2Pd, 1,20).

B) "Assim vos escreveu também o nosso caríssimo irmão Paulo, segundo a sabedoria que lhe foi dada, falando-vos dessas coisas, como faz também em todas as suas cartas. Nelas há, porém, alguma coisa difícil de compreender, que as pessoas pouco instruídas ou pouco firmes deturpam, como fazem também com as outras escrituras, para sua própria ruína" (2Pd 3, 15-16).

C) "Muitas são as opiniões dos homens, e as más imaginações levam ao engano" (Eclo 3,24).

Como explicar que Deus deixaria o mundo ao "livre exame" em que cada um segue sua cabeça e justifica suas opiniões? E onde ficaria a frase de S. João: "Haja um só rebanho e um só pastor" (Jo 10, 16).

E só folhear o Ato dos Apóstolos e verificar que a Igreja, desde o começo, seguia a um só pastor, isto é, o sucessor de S. Pedro (o primeiro Papa).

Outra contradição do "livre exame" é o fato de existirem tantas "igrejas", todas se dizendo inspiradas pelo mesmo 'espírito santo', e cada uma pregando uma doutrina diversa da outra.

Depois, se todos têm o "livre exame", como condenar o exame católico? Como julgar, sem ser através de uma Igreja infalível, se a interpretação de alguém está certa ou não? A inspiração não vem para todos? No fundo, os protestantes se acham, ainda que implicitamente, infalíveis em seu exame. Enquanto os católicos são falíveis individualmente e a Igreja é infalível, alguns cristãos não católicos, individualmente, se outorgam a "infalibilidade" que condenam nos católicos.

As citações são feitas do seguinte modo:

  • A vírgula separa capítulo de versículo. Ex.: Gn 3,1 (Livro do Gênesis, cap. 3, v. 1);
  • O ponto e vírgula separa capítulos e livros. Ex.: Gn 5,1-7; 6,8; Ex 2,3 (Livro do Gênesis, cap. 5, v. de 1 a 7; cap. 6, v. 8; Livro do Êxodo, cap. 2, v. 3);
  • O ponto separa versículo de versículo, quando não seguidos.

Ex.: 2Mc 3,2.5.7-9 (2º livro dos Macabeus cap. 3, v. 2,5 e de 7 a 9);

  • O hífen indica seqüência de capítulos ou de versículos.

Ex.: Jo 3-5; 2Tm 2,1-6; Mt 1,5-12,9 (Evangelho segundo s. João, capítulos de 3 a 5, 2ª carta a Timóteo, cap. 2, v. de 1 a 6; Evangelho segundo s. Mateus, do cap 1, v. 5 ao cap. 12, v. 9).

  • O "s" após o versículo indica que se refere a ele e o subseqüente

Ex.: Mt 21, 21s (Evangelho segundo s. Mateus, capítulo 21, v. 21 e 22)

  • O "ss" após o versículo indica que se refere a ele e os dois subseqüentes

Ex.: Mt 21, 21ss (Evangelho segundo s. Mateus, cap. 21, v. 21, 22 e 23)

terça-feira, 4 de agosto de 2009

A Santidade é atual




A santidade é sempre atual


Caros Coirmãos no Sacerdócio,




Nesta ditosa celebração do 150º aniversário do nascimento para o Céu de São João Batista Maria Vianney (4 de agosto de 1859-2009), tenho o prazer de lhes dirigir meus renovados votos de um bom Ano Sacerdotal!


O Cura d'Ars destaca-se diante de nós como exemplo excelso de santidade sacerdotal, não vivida mediante especiais obras de caráter extraordinário, mas na fidelidade cotidiana do exercício do ministério. Tendo-se transformado em modelo e "farol" para a França do início do século XIX e para a Igreja inteira, de todos os tempos e lugares, o Santo Cura é, para cada um de nós, fonte de consolação e de esperança, até mesmo em meio a um certo "cansaço" que nos pode acometer em nosso sacerdócio.


Sua dedicação é um estímulo para nossa alegre doação a Cristo e aos irmãos, de modo que o ministério seja sempre um reflexo luminoso da consagração de que deriva o próprio mandato apostólico e, nele, toda e qualquer fecundidade pastoral!


Que seu amor a Cristo, cheio também de uma afeição extremamente humana e sincera, seja para nós um encorajamento a que nos "apaixonemos" cada vez mais profundamente pelo "nosso Jesus": que Ele seja o olhar que buscamos pela manhã, a consolação que nos acompanha à noite, a memória e a companhia de cada respiro do dia. Viver apaixonados pelo Senhor, a exemplo de São João Maria Vianney, significa conseguir manter sempre elevada a propensão missionária, tornando-nos, de modo progressivo mas real, imagens vivas do Bom Pastor e daquele que proclama ao mundo: "Eis o Cordeiro de Deus".


Que o verdadeiro "arrebatamento" espiritual do Cura d'Ars na celebração da Santa Missa seja para cada um de nós um convite explícito a que tenhamos sempre consciência plena do grande dom que nos foi confiado, dom que nos faz cantar com as palavras de Santo Ambrósio: "...Que nós, elevados a tal dignidade, a ponto de consagrar o corpo e o sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, possamos todos ter a esperança da Vossa Misericórdia!"


Que sua dedicação heroica ao confessionário, alimentada por um espírito expiatório verdadeiro e pela consciência de ter sido chamado a participar da "substituição vicária" do único Sumo Sacerdote, instigue-nos a voltar a descobrir a beleza e a necessidade da celebração do Sacramento da Reconciliação, também para nós, sacerdotes. Tal sacramento, bem sabemos, é um espaço de contemplação real das obras maravilhosas de Deus nas almas que Ele delicadamente fascina, conduz e converte. Tolher-se desse "espetáculo maravilhoso" é uma privação irreparável e injusta, não apenas para os fiéis, mas também para o próprio ministério, que se alimenta da estupefação provocada pelo milagre que se repete cada vez que a liberdade humana diz "sim!" a Deus!


Que, enfim, o amor filial e repleto de comoventes gestos de atenção do Santo Cura d'Ars pela Bem-aventurada Virgem Maria, a quem não hesitou consagrar-se, com toda a sua paróquia, seja um estímulo a que nós, neste Ano Sacerdotal e sempre, deixemos ressoar em nosso coração de padres, com uma fidelidade quase obstinada, o sim de Maria: o seu "para tudo" e "para sempre", que constituem a única medida verdadeira de nossa existência sacerdotal.




Boa festa de São João Maria Vianney!






X Mauro Piacenza


Arceb. tit. de Vittoriana


Secretário

segunda-feira, 27 de julho de 2009

A Partilha do Pão

17º Domingo do Tempo Comum “Ano B”

Leituras: 1ª 2Rs 4,42-44;

Salmo 144/145;

2ª Ef 4,1-6;

Evangelho Jo 6,1-15

É comum a sociedade criticar as ações sociais da Igreja, que se dirá de suas declarações sobre política e economia. Segundo a sociedade a Igreja não deve se meter em assuntos temporais e ocupar-se apenas com o espiritual. A violência, a impunidade, a falta de saúde, a falta de educação, a fome que atingem grande parte da população não dizem respeito ao Reino de Deus? Não diz respeito à Igreja que perpetua e atualiza o anuncio do Reino de Deus?

Domingo passado Marcos (Mc 6, 30-34) mostra que Jesus se compadece daquele povo sem perspectiva de vida, perdido, como ovelha sem pastor. Jesus os acolhe e ensina e ao fim do dia, quando é chegada a hora de despedir-lhes, antes os alimenta (Mc 6, 35-44). A Igreja assim como Jesus se dedica ao “desenvolvimento integral do homem”, não cuida unicamente do espírito.

Jesus não se surpreende com as circunstancias e as usa para apresentar o pão ao povo, para depois mostrar o Pão Verdadeiro. Jesus prepara o anuncio do “Pão da Vida”, como veremos nos próximos Domingos com o sermão do Pão.

Para resolver os problemas econômico/sociais não é preciso que o Filho de Deus venha ao mundo, os meios estão ai. Estes meios providos por Deus, frutos da terra e do trabalho do povo precisam ser utilizados de forma consciente e justa, direcionados a solução dos problemas. A Igreja tem como missão colocar os responsáveis por estes meios diante da vontade de Deus para que vivam como Jesus ensinou. Isso não significa pregar ingenuamente a “Boa Vontade”, sem fazer nada que obrigue as pessoas a pô-la em prática.

Para que a justiça social aconteça é necessário mecanismos, leis, que proporcionem e garantam sua realização concreta. Não é responsabilidade da Igreja criar estes mecanismos e leis, mas a Igreja tem que mostrar o rosto de Deus que deseja que nos tratemos como irmãos. Para isso a Igreja não pode deixar de apontar quais são as responsabilidades concretas.

No Evangelho vemos que a reflexão dos apóstolos é muito racional e funcionalista. A economia de Jesus é muito mais simples, como o menino que na necessidade coloca tudo o que tem em comum – cinco pães e dois peixes. É na simplicidade da dinâmica da partilha, sem calculo algum, no exemplo de desprendimento do menino, que seguindo a simplicidade da lógica do Mestre, coloca tudo o que tem em comum. É a lógica da gratuidade, do amor, do olhar para o irmão, não para si mesmo.

Mediante tudo isso seguro alguma coisa que não quero dividir?

Minha lógica é do acumulo, da centralização, do cada um por si? ou é a lógica de Jesus da partilha, do amor?

A partir da Palavra qual meu novo olhar? é para os outros, para as pessoas que posso encontrar. Minhas mãos vão estar abertas como a do menino do evangelho, estou disposto a colocar o que tenho em comum para o beneficio do outro?

Jesus revela o Deus da vida e do amor. No relato do evangelho o gesto da partilha se da num momento de encontro com a grande multidão onde estavam presentes gentios da Galiléia e de territórios vizinhos sinalizando a abrangência universal do gesto. A solução do problema da fome e das carências do homem não reside na economia de mercado, vender e comprar visando lucro. É na partilha dos bens deste mundo, do pão, dos frutos da terra, da cultura, que se pode satisfazer a todos e ainda sobrara em abundancia. É pela partilha que realizaremos a unidade desejada por Deus, formando-se um só corpo e um só espírito, na comunhão da paz onde não haverá mais divisão entre ricos e pobres.

“O homem que trabalha e ganha o pão que come, não come o pão de ninguém. O homem que trabalha e ganha mais pão que come, come o pão de alguém.” (Sása Mutema, Salvador da Pátria.)

Diác. Adriano Gomes.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Amizade, Dom eviterno de Deus.

A verdadeira amizade é um reflexo do amor de Deus por nós, a Amizade é gratuita, não espera recompensa alguma, a amizade simplesmente é sem nenhuma condição para que seja. Quando era chegada a hora Jesus disse a seus apóstolos “...Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos,...” (cf. Jo 15, 14).

Amizade é comunhão, assim se consolida nas alegrias e nos sofrimentos, rico é aquele que possui amigos verdadeiros, que partilham tudo que somos e passamos.

Milton, você é meu amigo, passei junto de ti todas as suas vitórias, derrotas, sofrimentos e alegrias, assim como você passou as minhas, partilhamos até amigos. Hoje fico feliz por saber que sua amizade é tão forte que resolveu ir ao Pai interceder por nós, partiu para poder cuidar melhor do seu maior tesouro seus amigos e familiares.

Tive a honra de rezar suas exéquias, muito emocionado, com saudades porem não triste, pois a morte é para nós cristãos a vitória, a conquista da verdadeira e eterna vida. E a amizade não tem fim, permanece mesmo na ausência e cresce de forma inequívoca e contínua.

Seja feliz junto de Deus meu amigo, tenha certeza que sua partida serviu para unir cada vez mais os que ainda ficaram a espera da vitória da morte.

Adriano e Joaquim

domingo, 28 de junho de 2009

Igreja Sacramento da Salvação

Foto 002

Neste dia em que comemoramos São Pedro e São Paulo pilares fundamentais da Igreja que Cristo nos deixou quero refletir sobre “Igreja Sacramento da Salvação”.

Esta verdade de fé é o carro mestre da vida cristã, nesta afirmação nós temos o cerne do modo de ser e viver em Cristo, só através da Igreja e dos sacramentos e que nos tornamos aptos a receber a filiação divina e podemos com certeza alcançar um dia a salvação.

Para entendermos esta afirmação é necessário entender com clareza a definição de cada um dos três elementos aqui envolvidos. Só a partir daí poderemos enxergar a ligação (comunhão) entre eles que os tornam uma só coisa, uma só verdade, um só “mistério”, e, através da vivência deste mistério podermos viver em plenitude nossa caminhada em Cristo pelo Espírito Santo em direção ao Pai.

Podemos definir cada elemento, sinteticamente, como:

Salvação - É a participação na natureza Divina, que ocorre por meio de Cristo que dá acesso ao Pai pelo Espírito Santo.

Sacramentos - Sacramentos são sinais eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio dos quais nos é dispensada a vida divina (C.I.C. 1131).

Igreja - Podemos falar infinitamente sobre todos os aspectos que definem “Igreja” porem nossa proposta é uma definição sintética, então: Igreja é a reunião dos homens em torno de Cristo, atraídos pelo Pai.

A Igreja pode ser definida ainda como; “Corpo Místico de Cristo”, “Esposa de Cristo”, “Fundamento da Verdade”, “Guardião do depósito da Fé”, “Templo de Espírito Santo”, “Mistério e Sacramento”, “Povo de Deus”.

Tendo definido brevemente o que vem a ser Igreja, Sacramento e Salvação podemos agora procurar o entendimento da sentença “Igreja Sacramento de Salvação”.

Aprouve a Deus Pai, em sua infinita Sabedoria e Bondade, criar o universo, e tendo nele criado o mundo e tudo que nele há, cria o homem sua imagem e semelhança e o eleva (o homem) a participação da vida divina, o homem (Adão) cai e se afasta de Deus e de sua natureza divina que até então participava. Deus não abandona o homem, antes, traça para ele um plano de salvação, um meio do homem retornar a participação da natureza divina.

Deus revela a Si mesmo e da a conhecer o mistério de sua vontade, segundo a qual os homens, por meio de Cristo (Verbo encarnado) têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina. Em virtude desta revelação, Deus convive com eles para os convidar e admitir à comunhão com Ele.

O homem é um ser sacramental, exprime suas relações com Deus num conjunto de sinais e símbolos, igualmente, Deus se utiliza de sinais e símbolos quando se comunica com os homens. Toda a criação revela a Deus, sendo de certa forma sacramento de Deus. O homem, por ser essencialmente um ser sensível, necessita dos sinais e símbolos para poder se relacionar de forma mais estreita com o Deus invisível, fazendo-o visível pelo homem através de seus símbolos. Assim, devido esta necessidade, Deus envia seu filho imagem de Deus invisível, o próprio verbo encarnado que é o sacramento primordial e radical do Pai, pois aquele que viu o Cristo viu o Pai. A revelação de Deus manifesta a verdade profunda tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação dos homens, esta revelação se manifesta a nós em Cristo, mediador e plenitude de toda e revelação.

Cristo esta sempre presente em sua Igreja. É a Igreja Sacramento de Cristo (Pb 922), especialmente nas ações litúrgicas onde em seu dinamismo os sacramentos quando são por alguém (ministro ordinário) ministrado é o próprio Cristo quem ministra. Cristo esta presente na sua palavra, pois é Ele quem fala quando a Sagrada Escritura é lida na Igreja. Cristo associa sempre a si a Igreja, sua esposa muito amada, a qual invoca o seu senhor e por meio dele rende culto ao Eterno Pai. Cristo como sacramento do Pai faz da Igreja seu sacramento. A ação salvífica de Cristo é prolongada na Igreja e Pela Igreja.

O homem ferido pelo pecado tem muita dificuldade de manter o equilíbrio moral. O dom da salvação, trazida por Cristo, nos concede a graça necessária para perseverar na conquista das virtudes. O homem deve sempre pedir esta graça de luz e de fortaleza através dos sacramentos. O Homem tem necessidade da salvação, chamado a felicidade por Deus é em Cristo, Sacramento de Deus, que o homem encontra a realização deste chamado. Somente pelos sacramentos da nova aliança é que o homem recebe a graça sacramental de Cristo, o Espírito Santo presente nestes sacramentos cura e transforma os que o recebem, conformando-os com o filho de Deus. Esta vivencia sacramental traz como fruto a adoção divina, concedida inicialmente pelo sacramento do batismo e mantida e aumentada pelos demais sacramentos, em especial pela Eucaristia, centro de toda vida sacramental, o próprio Cristo presente em corpo, alma, sangue e divindade no meio de nós.

O Homem não é capaz de chegar a salvação sem a vivencia dos sacramentos, todos os homens estão implicados no pecado de Adão e precisão fazer a adesão a Cristo em seus sacramentos para receber a graça no Espírito Santo que proporciona a salvação. A plenitude dos meios de salvação é concedida a Igreja através do Espírito Santo por Cristo que é a própria Igreja formada do corpo místico que somos nós, leigos e clérigos regidos pelo Espírito Santo e da cabeça que é o próprio Cristo.

É através dos ministros ordenados, herdeiros do carisma apostólico, que Cristo atua em sua Igreja, quando um ministro Ordenado batiza é o próprio Cristo que batiza. É através da Igreja que Cristo se faz presente e se põe ao alcance de todos os homens, pondo também ao alcance de todos a salvação. O Pai chama todos os homens a salvação e é através da Igreja que este chamado se realiza plenamente. Só através da Igreja o Homem pode receber as graças sacramentais necessárias a sua salvação, pois a Igreja é sacramento de Cristo que é sacramento do Pai, Templo onde está o Espírito Santo de Deus, sacramento que nos conduz a participação na natureza divina de Deus. Assim a Igreja é o Sacramento que nos da à salvação, e a coloca ao alcance de todos, tornando a Salvação universal e não mais para alguns apenas. “Igreja sacramento de salvação”.

Diác. Adriano T. Gomes

quarta-feira, 17 de junho de 2009


O povo Hebreu esteve no Egito ou não?


Os sacerdotes-arquitetos das Pirâmides utilizavam como unidade de medida o côvado sagrado, diferente do côvado comum ou real. Segundo o Pe. Moreux, é o mesmo côvado dos hebreus. E foram estes que o aportaram ao Egito.
“Não podemos fugir da conclusão, escreveu o Pe Moreux, de que antes da ereção da Grande Pirâmide, existia sobre a Terra um povo que possuía esse côvado sagrado e que transmitiu essa medida aos construtores desse monumento único, e aos antecessores do povo de Israel. Então voltamos à mesma questão: de onde esse povo desconhecido tirou essa medida à qual as nações modernas serão um dia obrigadas a adotar porque é invariável?”


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